Os primeiros vírus e a inocência da internet
2026-01-29
Quando vírus de computador eram quase brincadeira de mau gosto, e não uma indústria bilionária. A perda da inocência tem data.
Pragas com senso de humor
Os primeiros vírus que assustaram o mundo eram, em retrospecto, quase ingênuos. Espalhavam-se por disquete ou por um e-mail com um anexo tentador ('ILOVEYOU'), e o estrago era mais bagunça do que crime organizado. Muitos eram feitos por adolescentes querendo provar que conseguiam, não para roubar contas bancárias.
A internet que confiava em todo mundo
A rede nasceu entre acadêmicos que confiavam uns nos outros, e isso se refletia em tudo: protocolos sem criptografia, e-mails fáceis de falsificar, sistemas que assumiam boa-fé. Funcionava porque o clube era pequeno. Quando o mundo inteiro entrou, essa confiança virou uma porta escancarada.
De travessura a indústria
Hoje o cibercrime é profissional, lucrativo e impessoal. Ransomware sequestra hospitais; golpes drenam aposentadorias. A 'inocência' acabou no momento em que perceberam que dava para ganhar muito dinheiro. Olhar para trás não é saudade dos vírus — é perceber como subestimamos, lá atrás, o que aconteceria quando juntássemos toda a humanidade na mesma rede.
