Masters of the Universe (2026): o novo He-Man tem o poder? Review com prós, contras e onde assistir
2026-06-04
He-Man voltou aos cinemas em grande orçamento, com Nicholas Galitzine e Jared Leto como Esqueleto. Review honesto de Masters of the Universe (2026): o que funciona, o que não funciona e se vale a ida ao cinema.

Aviso de spoilers: comento a premissa, o elenco e o tom do filme, mas evito revelar viradas e o final. Pode ler tranquilo.
"Eu tenho a força!" — finalmente nos cinemas, de novo
Pra quem cresceu nos anos 80, ouvir "By the power of Grayskull" mexe com algo lá no fundo. He-Man foi um fenômeno: linha de brinquedos da Mattel, desenho animado, e até um filme de 1987 com Dolph Lundgren que virou cult pelo charme tosco. Depois de décadas de tentativas frustradas (os direitos passaram por Warner, Columbia, Netflix e finalmente Amazon MGM), o homem mais poderoso do universo voltou à telona em 5 de junho de 2026, dirigido por Travis Knight.
A pergunta que todo fã faz é simples: tem a força ou não tem? A resposta honesta é: tem diversão, mas não tem originalidade. Vamos aos detalhes.
A premissa
O filme segue Adam (Nicholas Galitzine), o príncipe do planeta Eternia. Quando o maligno Esqueleto (Jared Leto) toma o poder e busca a Espada do Poder, o jovem Adam é enviado por um portal para a Terra, onde cresce levando uma vida comum e entediante num emprego de escritório — sonhando com aventuras. A Espada do Poder acaba o conduzindo de volta a Eternia, onde ele descobre seu lar despedaçado sob o domínio de Esqueleto e precisa abraçar seu destino como He-Man.
É, em essência, uma jornada do herói clássica, no melhor estilo Star Wars: alguém comum é arrancado da rotina para uma aventura grandiosa, percorrendo cenários exóticos para derrotar um grande mal.
O elenco
O elenco é parrudo e claramente comprometido. Nicholas Galitzine (de "Vermelho, Branco e Sangue Azul") encara Adam/He-Man; Jared Leto é o Esqueleto; Idris Elba é o Homem-de-Armas (Duncan); Camila Mendes é Teela; Alison Brie é a Feiticeira Maligna (Evil-Lyn); e Morena Baccarin é a Feiticeira. Há ainda Kristen Wiig dando voz ao Roboto. É um time de respeito, e o empenho aparece na tela — especialmente nos vilões.
O que funciona
Apesar das ressalvas, o filme é divertido. O orçamento de mais de 170 milhões de dólares dá escala às locações de Eternia, e a ambientação fantástica é genuinamente interessante. Há cores vibrantes, guitarras épicas na trilha, diálogos brega na medida certa e aquele espírito de aventura oitentista que os fãs querem. A crítica que veio do público nostálgico é reveladora: "filme de verão muito divertido", "toda a nostalgia que você poderia pedir". O elenco comprometido e o cenário cativante seguram o rojão mesmo quando o roteiro tropeça.
O que não funciona
A honestidade pede que se diga: não há nada de original aqui. O roteiro é uma colcha de clichês de jornada do herói, e parte da crítica especializada foi dura — chamando o filme de "bagunça de grande orçamento com enredo confuso". Mesmo com o orçamento alto, alguns efeitos visuais ficaram com cara de barato. E há uma tensão de público: o filme parece feito para crianças sendo apresentadas a He-Man pela primeira vez, deixando de lado os fãs antigos que queriam uma versão mais madura do material. É longo, é seguro, é previsível.
A maldição de adaptar He-Man
Para entender o filme, ajuda conhecer a novela dos bastidores. Levar He-Man de volta ao cinema foi uma odisseia de quase duas decadas. Os direitos passaram de mao em mao — Warner Bros. em 2007, Columbia Pictures em 2009, Netflix em 2022 e finalmente Amazon MGM Studios. Projetos foram anunciados e cancelados, diretores entraram e sairam, roteiros foram engavetados. Que o filme tenha simplesmente saido, depois de tantas tentativas frustradas, ja e um pequeno milagre da industria.
Esse contexto importa porque ajuda a calibrar a expectativa. Travis Knight, diretor conhecido pela animacao caprichada da Laika e por "Bumblebee", assumiu a missao de equilibrar emocao com fantasia de grande escala. O resultado e um filme que se compara, em espirito, ao original de 1987 com Dolph Lundgren: assim como aquele representava bem o charme dos blockbusters tosco-divertidos da Cannon Films, esta versao de 2026 representa o blockbuster moderno de Hollywood — seguro, acessivel, longo e cheio de humor.
Os bastidores e o visual
Com orcamento acima de 170 milhoes de dolares, o filme tinha recursos de sobra para construir Eternia em grande estilo, e em boa parte consegue. Os roteiristas Aaron Nee, Adam Nee e Dave Callaham, junto de Chris Butler, apostaram numa estrutura de jornada do heroi reconhecivel: o principe Adam, separado de seu mundo aos quinze anos, precisa reencontrar a Espada do Poder, voltar a Eternia e abracar seu destino para salvar a familia e o planeta das maos de Esqueleto.
Visualmente, a experiencia e desigual. As cores vibrantes e o desenho de producao de Eternia impressionam, mas, curiosamente para um orcamento desse tamanho, parte dos efeitos visuais ainda escorrega para um aspecto artificial. E uma daquelas situacoes em que a ambicao do projeto as vezes supera a execucao tecnica — algo que nao chega a afundar o filme, mas que os fas mais atentos vao notar.
Onde assistir no Brasil
No momento, Masters of the Universe está em cartaz exclusivamente nos cinemas, onde estreou em 5 de junho de 2026. Como é uma produção da Amazon MGM Studios, o caminho natural depois da temporada nos cinemas é o Prime Video — o serviço de streaming da Amazon — provavelmente alguns meses após a estreia. Ainda não há data oficial confirmada para o streaming; quando sair, atualizamos.
Veredito: vale a pena?
Depende de quem você é. Se você quer um blockbuster de verão descompromissado, cheio de cor e ação, e topa relevar os clichês em nome da diversão — especialmente se vai levar a criançada — vale a ida ao cinema. É pipoca honesta, com nostalgia de sobra e um Esqueleto que o Jared Leto claramente se divertiu interpretando.
Agora, se você é o fã raiz que esperava décadas por uma adaptação definitiva e madura de He-Man, prepare-se para uma certa decepção. Este não é o filme que reinventa a franquia; é um origin story competente e seguro, que prioriza o público novo. Minha recomendação sincera: ajuste a expectativa, encare como aventura familiar leve, e ele entrega. Como obra que faria justiça plena ao legado, fica devendo. Mas que é mais divertido do que tinha o direito de ser, isso é — e, para uma tarde de cinema sem compromisso, o poder de Grayskull dá conta do recado.
